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Por uma UFBA aberta ao diálogo

cartaz_dialogos11Abril_atualizadoUFBA em Sociedade: diálogos interativos

Há um longo tempo, a Universidade Federal da Bahia abdicou do seu protagonismo político e cultural no debate da cidade. Como é de se esperar, as universidades devem estar voltadas para os interesses e necessidades da sociedade e esta deve poder reconhecer a sua importância, entranhando-se nas definições das suas linhas de atuação.

Todavia, apesar de seus inúmeros projetos vitoriosos de extensão, que alcança um sem número de pessoas em seu entorno, nas comunidades, nos escritórios jurídicos, nos atendimentos odontológicos ou psicológicos, no acolhimento aos dependentes químicos, só para ficar em parcos exemplos, a comunidade organizada ou não nas cidades não reconhece – às vezes sequer conhece – a mais antiga e, por isso mesmo, uma das suas mais importantes universidades federais. Quanto mais pobres e afastadas dos centros de decisão tais comunidades, menos pertencimento têm com a UFBa. E a UFBa com elas.

Com as ações afirmativas e a expansão da Universidade, camadas da população que antes não tinham acesso passaram a conhecer e a fazer parte da comunidade universitária. Vivemos um momento histórico de entrada de novos atores no ambiente restrito do ensino universitário. Mas a impressão é a de que ela ainda é um clube fechado, só que agora com mais sócios.

Afinal, o que é mesmo “a UFBa”? Qual a sua função pública? Qual seu papel na discussão dos problemas inúmeros das cidades e de suas populações? A UFBa se afastou da cidade? Por quê? A UFBa ainda é reconhecida como instituição com voz e vez nas esferas de condução dos problemas de sua comunidade? Como você a pensa? Como participar dela – mesmo não sendo aluno, professor ou funcionário – e fazer com que ela participe dos grandes desafios de Salvador, da Bahia, do Brasil e mesmo do planeta?

Essas perguntas ganham uma amplitude ainda maior neste momento em que se aproxima a eleição para a sua reitoria. É hora de a comunidade inserir um novo modelo de troca de suas aspirações e necessidades com a Universidade que, não obstante a sua tradição, há que se reinventar a cada dia.

Por isso, chamamos você. Vamos pensar a UFBA juntos.

11.4.14 (sexta-feira) – 17 horas – Faculdade de Direito, Sala da Congregação

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Carta à comunidade da UFBA

Prezad@s professores, técnico-administrativos e estudantes,

Após longo processo de diálogo e consulta a colegas, professores, técnico-administrativos, estudantes e representantes de diversos movimentos sociais, aceitei a convocação para participar do pleito eleitoral, como candidato a Reitor para o próximo quadriênio (2014-2018).

É minha trajetória acadêmica, administrativa, política e militante, na UFBA e fora dela, que me impulsionou, com alegria, a assumir essa candidatura. Trago comigo uma imensa disposição para debater ideias, trocar experiências e edificar propostas de gestão capazes de reencantar a comunidade universitária, fazendo da nossa UFBA um lugar bom de estudar, pesquisar e trabalhar. Ou seja, um espaço público da cultura, com desenvolvimento científico, formação profissional e elaboração política.

Desde o momento em que apresentamos a candidatura, temos trabalhado de forma aberta e coletiva nos pontos centrais do programa de gestão, tendo como princípios a defesa intransigente da autonomia universitária, democracia, transparência, controle social e participação coletiva. Mas temos que ir muito além. Não podemos abrir mão da centralidade da cultura na sociedade contemporânea, da história como matriz da produção do conhecimento e de uma UFBA altiva.

Iniciei a minha vida universitária como professor da UFBA em 1978 e, desde então, atuei de forma intensa e socialmente implicada, tendo clareza de que a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão está para além do quanto prescreve a Constituição (Magna e do ethos universitário). Trata-se de um fazer cotidiano, o que, a um só tempo, busquei realizar com qualidade acadêmica e compromisso social.

A pesquisa e a inovação precisam estar fortemente articuladas a uma produção de conhecimento que considere os múltiplos saberes, em uma UFBA que compreenda a importância de vivenciar sua dinâmica consoante a diversidade cultural da sociedade. Nosso propósito é fortalecer uma articulação de campos e sujeitos, para que as diferenças, além de aceitas e respeitadas, sejam também enaltecidas.

Trabalharemos sempre na perspectiva da valorização do trabalho docente e dos servidores técnico-administrativos, bem como para que a formação dos nossos estudantes não se limite às salas de aulas, mas compreenda todos os espaços universitários. Sigo confiante que é a força jovem que impulsiona todos os processos.

Conto com a sua disposição para discutir a nossa Universidade. Vamos escrever mais esse capítulo e assumir o destino da UFBA.

Saudações Universitárias,

Nelson De Luca Pretto

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Carta distribuída em Direito

Em seu discurso para homenagear a “retomada” da UnB após o fim da ditadura, Darcy Ribeiro, emocionado, lançou uma pauta para as universidades brasileiras que, atualmente, neste que se configura como o período mais longo da nossa frágil democracia republicana, ainda não foi cumprida sequer parcialmente.

Disse Darcy: “Voltando ao nosso princípio das responsabilidades sociais da Universidade, quero assinalar mais profundamente, ainda, o papel da universidade como a Casa em que a Nação brasileira se pensa a si mesma como problema e como projeto. (…)”

Como aqueles que vivenciam a Universidade, professores e servidores devem aproximar a universidade da sociedade de modo a não mais haver fronteiras entre ambas. Para isso, penso que nosso esforço deve ser o de articular ensino, pesquisa e extensão de maneira efetiva, no cotidiano, e em paralelo quebrar as amarras burocráticas que paralisam a universidade. Talvez quando chegarmos a esse ponto, tenhamos condições de pensar o tal projeto falado por Darcy Ribeiro.

Sou docente da Universidade há quase três anos, mas aqui estudei na graduação e em duas especializações. Posso sentir as diferenças e vejo que a Universidade se tornou mais aberta e plural. Mas sinto falta de muita coisa que nos aproximaria de um ambiente mais transparente nas decisões, de instâncias substancialmente democráticas, de debates políticos constantes sobre a Universidade, e de um diálogo livre entre docentes e entre estes e estudantes e servidores.

Essas reflexões, talvez pueris da forma como colocadas, me provocam a acompanhar diariamente as discussões sobre a sucessão na Reitoria. Essa preocupação me levou a apoiar o professor Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educação por duas gestões e ex-candidato a reitor, quando obteve expressiva votação, mas não o suficiente para eleger-se. Nelson Pretto, por sua comprovada história de compromisso com a universidade, se apresenta como aquele que, como um Reitor criativo, pode propiciar um ambiente favorável a uma universidade cada vez mais crítica, reflexiva, livre, autônoma e socialmente referenciada, assim como queria Darcy Ribeiro e, mais recentemente, o nosso antigo Reitor Felipe Serpa.

O voto em candidato à Reitor não exige pressa, mas serenidade, independência de opinião e muita reflexão.

Dito isto, convido os colegas para conhecerem mais Nelson Pretto e suas propostas.

Reunião com o candidato a Reitor, professor Nelson Pretto, na Sala 9 (1º abdar) da Faculdade de Direito, dia 20 de março, às 17 horas.

Abraço a todos,

Carlos Eduardo Soares de Freitas, Professor Adjunto da Faculdade de Direito